Como responder aos insultos de forma inteligente, de acordo com os estóicos

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Louise Hay
@louisehay
FONTES CONSULTADAS:

wikipedia.org

S√™neca contou que um dia, enquanto Cato visitava os banhos p√ļblicos, foi empurrado e espancado. Quando o ataque terminou, ele se recusou a aceitar o pedido de desculpas do agressor, dizendo: "Eu nem me lembro de ter sido atingido."

Embora seu comportamento possa parecer estranho para nós, Cato simplesmente decidiu não entender o que havia acontecido. Ele optou por não ficar preso à humilhação, frustração ou raiva, mas imediatamente virou a página. Ele escolheu agir em vez de reagir, para recuperar o controle da situação e responder de uma forma mais madura. Ele optou por seguir os princípios do estoicismo, que nos ensinam como responder aos insultos de forma inteligente.



Os insultos desencadeiam uma resposta emocional intensa

Todos n√≥s, em maior ou menor grau, experimentamos o gosto amargo dos insultos. N√£o √© agrad√°vel, mas responder com raiva, frustra√ß√£o ou mesmo agress√£o √© in√ļtil, √© como tirar um veneno de n√≥s na esperan√ßa de que outro morra. Quando somos insultados, devemos aprender a responder com intelig√™ncia, para nosso bem-estar psicol√≥gico.

O principal obst√°culo, entretanto, √© nosso c√©rebro emocional. Quando ouvimos um insulto, geralmente reagimos automaticamente, colocando-nos na defensiva. Ficamos com raiva e estressados, portanto, n√£o apenas temos que lidar com o insulto, mas tamb√©m com as emo√ß√Ķes desagrad√°veis ‚Äč‚Äčque ele gerou.

Para interromper esse mecanismo, devemos entender que o c√©rebro emocional n√£o funciona racionalmente, ao inv√©s disso, tende a preencher as lacunas e tirar conclus√Ķes independentemente de a cr√≠tica ser v√°lida.

Para responder a um insulto de maneira inteligente, devemos evitar um sequestro emocional. Em vez de permitir que as emo√ß√Ķes assumam o controle, precisamos ativar nosso pensamento l√≥gico, concentrando-nos nos fatos.

A abdução emocional ocorre quando consideramos o insulto um ataque ao nosso ego. Naquele momento a amígdala reage como se estivéssemos em perigo, fazendo com que paremos de nos comportar racionalmente. Em vez disso, devemos estar cientes de que a linha entre um insulto e uma crítica construtiva pode ser muito sutil e subjetiva.



Na verdade, Epicteto pensava que n√£o era a pessoa, seus atos ou palavras que nos insultavam, mas nosso julgamento sobre o que havia acontecido. √Č dif√≠cil de digerir, mas, para sermos insultados, temos que permitir que o insulto se infiltre em n√≥s. Este fil√≥sofo disse: "Ningu√©m pode prejudic√°-lo sem o seu consentimento, voc√™ ser√° ferido no momento em que permitir que eles o prejudiquem".

Os 3 filtros dos estoicos para avaliar os insultos

Os estóicos aconselharam passar o insulto por esses 3 filtros antes de responder:

1. Verdade. Quando nos sentimos ofendidos, Sêneca sugeriu que parássemos por um momento para considerar se as palavras são verdadeiras. Se alguém se refere a uma de nossas características, por exemplo, não é um insulto, não importa o tom que seja usado, é simplesmente uma questão de curso. Se não quisermos que aconteça novamente, devemos fazer algo para mudar esse recurso, ou apenas aceitá-lo, para que não se torne um ponto sensível que nos faça pular toda vez que alguém o tocar.

2. N√≠vel de informa√ß√£o. O pr√≥ximo passo que devemos dar para responder a um insulto de forma inteligente vem de Epicteto, que recomenda que avaliemos se nosso interlocutor est√° bem informado. Se ele for uma pessoa informada, devemos avaliar o que ele est√° dizendo, mesmo que no in√≠cio nos cause rejei√ß√£o ou n√£o esteja em sintonia com nossa cosmovis√£o. Quem sabe, talvez ele esteja certo. Se ele n√£o √© uma pessoa informada, mas fala por ignor√Ęncia, n√£o devemos levar em considera√ß√£o sua opini√£o nem ficar com raiva.

3. Autoridade. O √ļltimo filtro pelo qual devemos passar um "insulto" √© avaliar sua origem. Se estamos aprendendo a tocar piano e o alegado "insulto" vem de nosso professor de piano, talvez seja uma cr√≠tica construtiva que dever√≠amos ouvir em vez de ficar com raiva.



Seja melhor do que aqueles que te insultam

Marco Aur√©lio, o famoso imperador romano e est√≥ico, achava que n√£o devemos permitir que aqueles que nos insultam manipulem nossas emo√ß√Ķes. Ele escreveu: "A melhor vingan√ßa √© n√£o ser como algu√©m que te machucou."

S√™neca, por outro lado, achava que a raiva sempre dura mais do que a dor, ent√£o n√£o adianta ficar com raiva de um insulto. N√£o devemos permitir que o insulto arru√≠ne nossas vidas ou dar a ele mais import√Ęncia do que ele merece.

Ele escreveu: ‚ÄúUma grande mente despreza as reclama√ß√Ķes que lhe s√£o feitas; a maior forma de desprezo √© considerar que o oponente n√£o √© digno de vingan√ßa. Em vingan√ßa, muitos levam as pequenas humilha√ß√Ķes muito a s√©rio. Grande e nobre √© aquele que, como um grande animal selvagem, escuta impass√≠vel as pequenas maldi√ß√Ķes que lhe s√£o lan√ßadas ‚ÄĚ.

Ignorar o insulto de alguém é a maneira mais poderosa de reagir, porque mostra autocontrole e nos impede de cair em seu jogo. O segredo é esperar um momento antes de reagir. Respire, pense e depois decida o que fazer.

Quando aumentamos o tempo entre o est√≠mulo / insulto e nossa rea√ß√£o, podemos dar uma resposta mais reflexiva. Podemos recorrer √† l√≥gica e ir al√©m da emo√ß√£o inicial. Os est√≥icos n√£o tinham nada contra as emo√ß√Ķes, mas se for uma emo√ß√£o indesejada que pode causar danos, √© melhor deix√°-la seguir seu curso e n√£o det√™-la.

Epicteto, que compartilhava dessa ideia, perguntou-se: ‚Äúquem √© invenc√≠vel? Aquele que n√£o se deixa perturbar por nada mais do que a sua decis√£o fundamentada ‚ÄĚ.


Isso significa que, se eles nos atacarem, não devemos nos defender? Claro que não. Mas se os estóicos tivessem a oportunidade de escolher, prefeririam a paz a estar certos. Superar os insultos é uma escolha mais madura que permitirá que você proteja sua paz interior. Afinal, não adianta discutir com um idiota.


Em busca do positivo no insulto

Também podemos buscar o positivo nos insultos, deixando de lado a grosseria e a mesquinhez para procurar as pérolas que possam estar se escondendo na crítica ácida. Podemos usar esses comentários para melhorar. Na verdade, os estóicos viam o insulto de um amigo ou mentor como um favor pessoal, uma oportunidade de superação que deveria ser aceita com gratidão.

Sempre que alguém nos insulta e conseguimos nos controlar, é uma vitória pessoal. Responder a um insulto com outro insulto, ao contrário, envolve reproduzir a cadeia da raiva humana, da imaturidade ou da estupidez e não mudará as coisas. Se reagirmos com calma e gratidão, no entanto, pegaremos de surpresa a pessoa que nos insultou, para que seja mais provável que ela reflita sobre seu comportamento.

Para nos controlarmos e garantir que os insultos n√£o nos machuquem, precisamos trabalhar para reduzir a sensibilidade √†s nossas imperfei√ß√Ķes, abra√ßando a ideia de que temos falhas e fraquezas e que √†s vezes as pessoas os relatam. N√£o somos perfeitos e temos que assumir isso. Se voc√™ aprender a acalmar seu ego, os insultos passar√£o sem prejudic√°-lo. Seria muito pior viver em uma esp√©cie de mundo dos sonhos onde todos fingem que n√£o temos falhas, dessa forma n√£o ter√≠amos a possibilidade de mudar e crescer.

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