Dieta e febre: o que comer?

Quem sou
Joe Dispenza
@joedispenza
FONTES CONSULTADAS:

wikipedia.org

Autor e referências

Febre e hiperpirexia

Febre e hipertermia representam dois mecanismos patológicos diferentes, mas ambos geram pirexia, uma condição NÃO fisiológica caracterizada por "aumento anormal da temperatura corporal".


Tanto a febre quanto a hipertermia causam superaquecimento do corpo, mas por meio de dois mecanismos patogenéticos totalmente diferentes:

  • A febre √© desencadeada por danos qu√≠micos por citocinas (mediadores qu√≠micos) no "termostato" de regula√ß√£o central do hipot√°lamo, que por sua vez gera aquecimento excessivo;
  • A hipertermia √© gerada pelo desequil√≠brio entre a termog√™nese (produ√ß√£o de calor corporal) ou aquecimento externo (como a radia√ß√£o solar) e o sistema de dispers√£o t√©rmica (vasodilata√ß√£o da pele, suor, etc.) que resulta em um ac√ļmulo progressivo de calor.

Terapia

Do exposto, pode-se deduzir que a abordagem terap√™utica entre as duas formas de pirexia √© completamente diferente; na hipertermia √© essencial resfriar rapidamente o corpo (por exemplo, com √°gua fria), enquanto na febre, drogas antipir√©ticas s√£o √ļteis, que atuam restaurando o "ponto de ajuste" hipotal√Ęmico (mas tamb√©m neste caso a utilidade do resfriamento por condu√ß√£o √© n√£o exclu√≠dos, por exemplo, esfregando com √°gua fria).




classificação Temperatura corporativa
Sub febril 37,0-37,3 ¬į C
Febre 37,4-37,6 ¬į C
Febre moderada 37,7-38,9 ¬į C
Febre alta 39,0-39,9 ¬į C
Iperpiressia > 40 ¬į C

Nota: o tratamento da febre e a redu√ß√£o da pirexia nem sempre seguem o mesmo processo terap√™utico; no caso de altera√ß√£o da temperatura √© fundamental primeiro identificar (se poss√≠vel) o agente etiopatol√≥gico (ou seja, a causa: inflama√ß√£o, infec√ß√£o viral, queimadura etc.) respons√°vel pela altera√ß√£o corporal, para depois elimin√°-lo. O uso de medicamentos antipir√©ticos (como o paracetamol) √© √ļtil para reduzir os sintomas pir√©ticos da febre, mas N√ÉO √© uma cura eficaz. Obviamente, se n√£o for poss√≠vel ou indispens√°vel intervir na causa prim√°ria da febre, os antit√©rmicos representam a √ļnica interven√ß√£o farmacol√≥gica aplic√°vel.

Dieta para a febre

A febre √© um processo ATIVO que busca deliberadamente um aumento na temperatura corporal; essa condi√ß√£o √© metabolicamente essencial para acelerar os processos enzim√°ticos de todo o organismo, a fim de otimizar a rea√ß√£o imunol√≥gica e acelerar a cicatriza√ß√£o. Por isso √© fundamental reduzir a febre somente se ela ultrapassar o limite de toler√Ęncia do sujeito.
Do ponto de vista metab√≥lico, a febre aumenta significativamente o gasto de energia mensur√°vel pelo consumo de oxig√™nio basal; as estimativas feitas na popula√ß√£o em geral indicam que para cada grau cent√≠grado (¬į C) acima de 37, o organismo precisa de 13% a mais de oxig√™nio para atender √†s necessidades de todos os processos fisiol√≥gicos e parafisiol√≥gicos. Isso significa que, com a mesma quantidade de energia introduzida com a dieta, a febre (por aumentar os processos de energia oxidativa) pode favorecer a redu√ß√£o dos substratos energ√©ticos de reserva (gordura e glicog√™nio), consequentemente diminuindo tamb√©m o peso corporal; Posto isto, pode parecer √≥bvio que, na presen√ßa de febre, √© essencial modificar a dieta, aumentando a ingest√£o de energia para cobrir o m√≠nimo necess√°rio para a manuten√ß√£o do peso corporal; por exemplo:



Supondo que o sujeito "X" normalmente tenha um gasto energ√©tico de 2000kcal, em caso de febre a 39 ¬į C (2 ¬į C acima do limite de 37 ¬į C) ele precisaria de um excedente cal√≥rico de 26% (13% multiplicado por 2 ¬į C), ou 520kcal. Em suma, o sujeito "X" deve corrigir sua dieta aumentando a ingest√£o cal√≥rica da seguinte forma:

  • 2000kcal + 520kcal = 2520kcal

NB. √Č aconselh√°vel manter uma ingest√£o normal de prote√≠nas e aumentar proporcionalmente os lip√≠dios e os carboidratos.

Caso o sujeito "X" mantenha uma ingest√£o energ√©tica de 2000kcal e a febre a 39 ¬į C seja constante por 14 dias, a soma alg√©brica entre as calorias introduzidas com a dieta e as calorias queimadas na presen√ßa de febre seria NEGATIVA , causando perda de peso:

  • [(2000*14)-(2520*14)]=(28000-35280)= -7280kcal

Al√©m disso, sabendo que para eliminar FISIOLOGICAMENTE 1 kg de gordura √© necess√°rio queimar cerca de 7000kcal, √© poss√≠vel afirmar que o sujeito "x", durante 14 dias de febre a 39 ¬į C em que N√ÉO seguiu dieta adequada, pode sofrer uma perda de peso de cerca de 1kg.

Obviamente, este exemplo N√ÉO leva em considera√ß√£o a presen√ßa de muitas vari√°veis ‚Äč‚Äč(POR EXEMPLO A REDU√á√ÉO DO N√ćVEL DE ATIVIDADE F√ćSICA) que contribuem para a determina√ß√£o do balan√ßo energ√©tico final, portanto deve ser considerado como uma SIMPLIFICA√á√ÉO absoluta.
NB. Se o leitor for seduzido pela possibilidade de facilitar a perda de peso, NÃO tratando a febre ou o agente causador que a gera, lembramos que o aumento dos gastos associados ao repouso na cama ou imobilização do paciente determina uma perda de peso NÃO seletiva que negativamente afeta tanto o trofismo da massa muscular quanto a consistência das reservas hepáticas e musculares de glicogênio.


 

Para obter uma imagem mais realista do impacto metabólico da febre no corpo, os seguintes pontos-chave também devem ser considerados:


  1. Desidratação: a febre gera um aumento da temperatura corporal que muitas vezes requer uma maior dispersão do calor e, portanto, leva a um aumento da sudorese; portanto, se a dieta não contiver água suficiente, a redução no peso corporal pode indicar uma desidratação mais geral do que um esgotamento das reservas de energia. Conclui-se que a dieta para febre DEVE antes de tudo garantir as necessidades basais de água, compensar a sudorese e facilitar a drenagem renal de quaisquer catabólitos farmacológicos
  2. O aumento no gasto b√°sico de energia √© compensado pela INATIVIDADE f√≠sica do sujeito: √© aconselh√°vel considerar que (normalmente) a febre N√ÉO permite a realiza√ß√£o de atividades laborais, recreativas e desportivas comuns; considerando que o gasto energ√©tico de uma pessoa ainda acamada √© quase compar√°vel √† sua taxa metab√≥lica basal (MB) enquanto o N√≠vel de Atividade F√≠sica (LAF) oscila entre + 33% e 110% a mais que o mesmo metabolismo basal, √© poss√≠vel afirmar que normalmente a dieta para febre de um SUJEITO DE CAMA OU DOENTE deve fornecer uma quantidade de energia inferior √† normalmente introduzida com a dieta APESAR da febre gerar um aumento basal de 13% a cada 1 ¬į C. Por exemplo, para o sujeito "Y" que tem uma taxa metab√≥lica basal de 1300kcal e um N√≠vel de Atividade F√≠sica que aumenta o gasto de energia em 55%, PARA UM TOTAL DE 2015KCAL, permanecer na cama com febre de 2 ¬į C (+ 26% das calorias) significaria um gasto total de 1638kcal‚Ķ BEM 377kcal menos que o normal!
  3. V√īmito e m√° absor√ß√£o associados √† condi√ß√£o m√≥rbida: caso o agente causador seja um pat√≥geno (v√≠rus, bact√©ria, protozo√°rio ou outros parasitas), ou uma intoxica√ß√£o por √°lcool et√≠lico ou outros nervos, e a febre seja acompanhada de v√īmitos e diarr√©ia, a dieta deve sofrer modifica√ß√Ķes dr√°sticas. Em primeiro lugar, lembre-se que o v√īmito e a diarreia causam desidrata√ß√£o acelerada, portanto, a redu√ß√£o do peso corporal est√° relacionada principalmente ao d√©ficit de volume (volume) do plasma sangu√≠neo; em segundo lugar, a incapacidade de reter alimentos no est√īmago ou a diminui√ß√£o da absor√ß√£o intestinal reduzem (√†s vezes severamente) a quantidade de energia e elementos essenciais introduzidos pela dieta. Portanto, al√©m de um estado de desnutri√ß√£o geral transit√≥ria, h√° uma degrada√ß√£o dos substratos energ√©ticos de reserva e tamb√©m do tecido muscular (favorecido pela imobilidade do paciente) encontrada na perda de peso indiscriminada (tanto massa magra quanto gorda). Nesse caso, a dieta da febre deve favorecer a passagem g√°strica sem induzir ao v√īmito e preparar a digest√£o e absor√ß√£o adequadas; neste sentido, √© muito √ļtil utilizar alimentos moderadamente prot√©icos com maior teor de carboidratos e √≥leos vegetais (semolina enriquecida com pur√™ de leguminosas e temperada com azeite de oliva extra virgem e um pouco de queijo ralado), de f√°cil digest√£o (simples e n√£o cozimento prolongado), prefira alimentos semil√≠quidos (N√ÉO totalmente l√≠quidos, pois o trato digestivo pode reagir √† sensa√ß√£o de saciedade com vontade de vomitar), com por√ß√Ķes moderadas e bastante frequentes; al√©m disso, seria melhor EVITAR alimentos que contenham nutrientes dif√≠ceis de tolerar, como a lactose.
  4. Anorexia transit√≥ria: do ponto de vista comportamental, os pacientes com febre n√£o sentem a necessidade (ou o est√≠mulo fisiol√≥gico) de comer e beber. Se a dieta da febre n√£o for tra√ßada e seguida com cautela, al√©m do risco de desnutri√ß√£o, com redu√ß√£o do suprimento de √°gua, tanto o potencial de dispers√£o do calor quanto a capacidade de filtra√ß√£o renal pioram; em rela√ß√£o a este √ļltimo, ao contr√°rio, deve ser estimulado, facilitando assim a elimina√ß√£o dos catab√≥litos end√≥genos e farmacol√≥gicos.

A dieta alimentar na febre deve levar em consideração todos esses fatores a fim de otimizar o processo de cicatrização e evitar os efeitos colaterais relacionados à desnutrição; é aconselhável prestar especial atenção à ingestão de água, soro fisiológico e vitamínico, mas não descurar (se possível) também a ingestão de alimentos que contenham as outras moléculas essenciais (ácidos gordos ómega 3 e aminoácidos derivados de proteínas de elevado valor biológico).

Dicas Pr√°ticas

  • Na presen√ßa de febre, principalmente se associada a v√īmitos e / ou diarreia, a primeira preocupa√ß√£o √© garantir a hidrata√ß√£o adequada. Geralmente, em adultos, a √°gua - bebida em pequenos goles frequentes - √© suficiente, enquanto em crian√ßas s√£o recomendadas f√≥rmulas reidratantes espec√≠ficas (por exemplo, Pedialyte). Em caso de jejum prolongado, √© poss√≠vel recorrer a formula√ß√Ķes especiais reidratantes e alcalinizantes, √† base de citrato de s√≥dio e / ou pot√°ssio (por exemplo, biocetase). Em caso de v√īmito prolongado, a reidrata√ß√£o tamb√©m pode ocorrer por via intravenosa.
  • Em caso de n√°useas e v√īmitos, a alimenta√ß√£o oral s√≥lida deve ser restaurada gradativamente o mais r√°pido poss√≠vel e realizada de acordo com a tolerabilidade do paciente: √°gua e l√≠quidos reidratantes ‚Üí gel√©ias e gel√©ias ‚Üí pur√™ de vegetais ‚Üí macarr√£o ou arroz em caldo ‚Üí vitela de carne, frango e peixe, possivelmente picado para torn√°-lo mais diger√≠vel
  •  Associada ao repouso, a dieta deve ser leve, contendo, portanto, alimentos de f√°cil digest√£o, sem gorduras culin√°rias. Os lip√≠dios ser√£o limitados √† adi√ß√£o de √≥leo cru e manteiga como condimento aos pratos.
  • A dieta da febre favorece carboidratos magros e prote√≠nas. Os carboidratos, de f√°cil digest√£o, permitem salvar as prote√≠nas musculares dos fen√īmenos catab√≥licos induzidos pela deple√ß√£o de calorias e carboidratos; al√©m disso, permitem evitar a cetose devido √† hiperativa√ß√£o do metabolismo lip√≠dico, t√≠pica das condi√ß√Ķes de jejum prolongado.
  • O leite semidesnatado, recomendado por alguns m√©dicos na vig√™ncia de febre, deve ser evitado por pessoas com intoler√Ęncia √† lactose. O texto "Arrazoado pela Terapia M√©dica" de Aldo Zangara sugere que "a alimenta√ß√£o do paciente com doen√ßa infecciosa febril se baseia inicialmente no consumo de leite - que se apresenta como alimento principal na quantidade m√©dia de um litro e meio por dia. dia (950 KCal e 46g de prote√≠na) - ovos, carnes homogeneizadas dissolvidas em sopas, massas, arroz, semolina, biscoitos, p√£o branco, frutas cozidas e ado√ßadas, bebidas, etc. (caldos de carnes t√™m baixo valor cal√≥rico). ‚ÄĚ Fontes de prote√≠na mais ricas em gordura e tecido conjuntivo (por exemplo, feixes de m√ļsculos, cascas, ossos) devem, portanto, ser evitadas, preferindo cortes mais macios e f√°ceis de digerir.
  • A dieta para febre envolve o consumo de numerosas pequenas ra√ß√Ķes, para evitar sobrecarga excessiva das fun√ß√Ķes digestivas.
  • Advert√™ncias particulares em certas situa√ß√Ķes requerem naturalmente que a √ļltima palavra, sobre a adequa√ß√£o de uma determinada dieta em caso de febre, perten√ßa ao m√©dico; por exemplo:
    • em caso de terapia prolongada com corticosteroides √© necess√°rio limitar a ingest√£o de s√≥dio com a dieta e aumentar a de pot√°ssio, pois esses medicamentos determinam a reten√ß√£o de s√≥dio e aumentam a excre√ß√£o de pot√°ssio
    • no caso de febre associada √† diarreia, deve-se evitar latic√≠nios e alimentos a√ßucarados (doces, gel√©ias), pois podem agravar o quadro por motivos osm√≥ticos. Entre os sucos de frutas - alimentos notoriamente √ļteis para o reequil√≠brio hidrossalino e vitam√≠nico - aqueles sem adi√ß√£o de a√ß√ļcares, ou melhor ainda, aqueles preparados em casa, ser√£o preferidos, visto que ado√ßantes com acentuado efeito laxante √†s vezes s√£o adicionados em vez de a√ß√ļcar em produtos industrializados ( por exemplo, por exemplo poli√≥is: sorbitol, manitol, xilitol e outros).
    • os latic√≠nios devem ser ingeridos pelo menos 3-4 horas ap√≥s a administra√ß√£o oral das tetraciclinas, pois podem inativar a droga por precipita√ß√£o no intestino
    • em caso de febre associada a hepatite grave, a dieta deve ser pobre em prote√≠nas

Bibliografia

  • Tratado de terapia cl√≠nica e cir√ļrgica. Volume 1 - - Piccin - p√°gina 54:57
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