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    Sincericídio: os riscos de se tornar um verdadeiro kamikaze

    Quem sou
    Joe Dispenza
    @joedispenza
    FONTES CONSULTADAS:

    wikipedia.org

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    aviso de conte√ļdo

    Oscar Wilde disse que um pouco de sinceridade √© uma coisa perigosa, mas muita sinceridade √© absolutamente fatal. Sem d√ļvida, h√° grandes diferen√ßas entre ser honesto e praticar "sinceric√≠dio", palavra que talvez a academia de l√≠nguas n√£o goste, mas que reflete perfeitamente o comportamento de quem poderia ser classificado como "kamikaze de verdade". H√° uma grande diferen√ßa entre dizer a verdade e us√°-la para fazer mal, tanto a si mesmo quanto aos outros.

    Uma lenda sobre os limites entre sinceridade e sincericídio

    Era a √©poca de ouro da Espanha quando em uma pousada em Madrid, aquecidos pelo conte√ļdo de alguns copos, alguns indiv√≠duos lan√ßaram uma aposta interessante. Algu√©m deve ter ousado dizer √† rainha que ela era aleijada.



    Donna Isabel, rainha da Espanha, era famosa por sua beleza, mas uma doen√ßa de inf√Ęncia a deixou com a perna esquerda semiparalisada. Essa falha ficou evidente enquanto ela caminhava e a rainha odiava que as pessoas mencionassem isso.

    Diz-se que Francisco de Quevedo, cavaleiro da corte famoso pelos seus versos e pelas suas disputas e aventuras, aceitou a aposta. Para espanto de todos, ele apareceu diante da rainha com dois ramos de flores e disse com certa altivez: "entre o cravo branco e a rosa vermelha, Sua Majestade é manca ..."

    N√£o sei se a anedota √© aut√™ntica, mas a verdade √© que nos mostra a diferen√ßa entre dizer a verdade e cometer sinceric√≠dio, fala-nos da import√Ęncia de escolher as palavras. Mas na vida nem sempre temos essa sutileza e intelig√™ncia, ent√£o, quando usamos a espada da verdade, podemos causar muitos danos.

    O perfil do sincericídio

    Provavelmente todos n√≥s j√° agimos como sincicidas em algumas ocasi√Ķes. No entanto, se falar a verdade abertamente, magoando os outros, passa a ser nosso comportamento normal, devemos nos perguntar por que nos tornamos homens-bomba.



    Em muitas ocasi√Ķes, esse apego suicida √† verdade √© a express√£o de algo muito mais profundo, que pode ser o desejo de "punir" o outro ou at√© a si mesmo. Na verdade, o sinceric√≠dio costuma ser uma pessoa que acredita que est√° sendo tratada injustamente, acredita que n√£o tem valor suficiente ou que est√° sendo pisoteada. Nestes casos, ele usa a verdade como arma "leg√≠tima" para atacar o mundo, o que o desiludiu profundamente.

    No entanto, existem tamb√©m o que poder√≠amos definir como ‚Äúsincic√≠dios natos‚ÄĚ, s√£o aqueles que acreditam ser os √ļnicos que t√™m raz√£o e o seu amor pela verdade permite-lhes ignorar qualquer subtileza social. Eles acreditam que o fato de ser uma "verdade t√£o clara como a luz do sol" √© raz√£o suficiente para n√£o fazer rodadas in√ļteis de paole. Afinal, essas pessoas est√£o convencidas de que s√£o as √ļnicas a ser sinceras e que todas as outras mentem, nem que seja para "enfeitar" a verdade e tirar parte de seu impacto.

    A dicotomia do sincericídio

    Os sincericidas partem de uma cren√ßa err√īnea porque pensam que "ser sincero" equivale a "ser bom". Essas pessoas acreditam que ser "direto", "dizer as coisas como s√£o" e "n√£o rodeios" √© uma express√£o de sua consist√™ncia, mas na realidade, dado o dano que causam com sua sinceridade, suas a√ß√Ķes revelam uma inten√ß√£o destrutiva , o que significa que eles t√™m um padr√£o duplo, uma vez que n√£o agem de acordo com o que dizem que s√£o.

    Por isso, o sincericídio costuma ocultar a impossibilidade de ser empático e se colocar no lugar do interlocutor. Aliás, uma das frases preferidas dos sincericídios é: "Eu te conto porque gostaria que me contassem". Isso mostra que o sincericídio costuma decidir e agir a partir de seu critério, sem levar em conta o que seu interlocutor deseja ou necessita. O fato de uma verdade ser boa para nós não significa que seja boa para os outros também.



    3 condi√ß√Ķes em que dizer a verdade n√£o √© √ļtil

    Sinceric√≠dio √© sinceridade sem prud√™ncia, a constata√ß√£o de uma realidade objetiva que se realiza sem uma pitada de bondade ou beleza. Esse tipo de verdade se torna uma arma que causa danos. Na verdade, existem algumas situa√ß√Ķes em que √© importante prestar aten√ß√£o especial quando queremos dizer uma verdade, pois pode ser mais prejudicial do que √ļtil.

    1. Quando a verdade n√£o traz valor. No caso da rainha, que estava perfeitamente ciente de seu estado, lembr√°-lo da verdade apenas acrescentava informa√ß√Ķes in√ļteis que lhe causavam ainda mais desconforto. Portanto, quando a pessoa est√° ciente da verdade, e isso a faz sofrer, n√£o √© necess√°rio lembr√°-la, pois seria como colocar o dedo na ferida.

    2. Quando a pessoa n√£o est√° pronta para enfrentar a verdade. Existem situa√ß√Ķes em que a pessoa n√£o est√° preparada para ouvir a verdade, portanto isso pode causar-lhe enormes preju√≠zos a n√≠vel psicol√≥gico. Na verdade, uma das tarefas do psic√≥logo √© justamente preparar a pessoa ao longo da terapia, oferecendo-lhe as ferramentas necess√°rias para enfrentar certas verdades.

    3. Quando não é a hora certa.
    Muitas vezes a verdade é dura, por isso, para a pessoa tirar proveito dela, é importante dizê-la na hora certa. Se contarmos a verdade em um momento inoportuno, como no meio de uma discussão acalorada, a pessoa provavelmente se sentirá magoada e ficará na defensiva.


    Como evitar o sincericídio sem esconder a verdade?

    A verdade é sempre melhor do que a mentira, mas há casos em que é necessário manipulá-la para que não cause danos desnecessários. Não há beleza ou bondade em uma verdade dolorosa e mal expressa.

    Mas isso n√£o significa que devemos necessariamente mentir, mas escolher as palavras com sabedoria, como se f√īssemos um esquadr√£o anti-bombas com a inten√ß√£o de desarmar uma bomba. Se cortarmos essa pessoa da maneira errada, a "verdade" causar√° mais dano do que uma mentira. Portanto, trata-se de avaliar a situa√ß√£o com cuidado e agir com cautela.


    Não basta "ser direto e dizer as coisas como são" é importante ser prudente, colocar-se no lugar do outro e escolher o momento certo em que o nosso interlocutor está mais receptivo à mensagem e pode aproveitá-la ao máximo .

    Afinal, a intenção não é lançar uma bomba e fugir para que a pessoa seja salva da melhor maneira possível, mas para que a verdade o ajude a melhorar e seguir em frente. E isso só vai acontecer se a pessoa for receptiva às nossas palavras.

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