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    Nunca lute uma batalha de inteligência com uma pessoa desarmada

    Quem sou
    Robert Maurer
    @robertmaurer
    FONTES CONSULTADAS:

    wikipedia.org

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    aviso de conte√ļdo

    "Eu me recuso a travar uma batalha de inteligência com uma pessoa desarmada", disse Mark Twain, um escritor que entrou para a história pela inteligente ironia que despejou em suas obras e pelo personagem indomável que mais se assemelhava ao "selvagem" Huck do que a o Tom "civilizado". Seu conselho nos poupará de muitas, muitas dores de cabeça: não devemos discutir com alguém que não tem as ferramentas para entender.

    Para discutir, é preciso ter vontade de entender

    A discuss√£o, entendida como um debate construtivo para a troca de ideias diferentes, pode ser extremamente positiva, mesmo que seja acalorada. Quando nos expomos a ideias diferentes, podemos refletir e at√© expandir nosso horizonte intelectual. √Č nas diferen√ßas que constru√≠mos, n√£o na igualdade.



    Por mais diferentes e opostas que sejam as ideias, se houver vontade de compreender o debate ser√° frut√≠fero. Isso n√£o significa que uma das partes tenha que convencer a outra desenvolvendo um argumento de "vit√≥ria". √Äs vezes, basta mudar algumas id√©ias para promover a compreens√£o essencial. O pr√≥prio Mark Twain disse: ‚Äúh√°bito √© h√°bito, e nenhum homem pode jog√°-lo pela janela; se alguma vez voc√™ conseguir empurr√°-lo escada abaixo, um degrau de cada vez ‚ÄĚ.

    Mas para que uma discuss√£o seja realmente enriquecedora, √© necess√°rio que ambas as partes estejam dispostas a se ouvir em um clima de respeito e toler√Ęncia, que haja disposi√ß√£o para o di√°logo. Na aus√™ncia dessas premissas, a discuss√£o ser√° in√ļtil. Portanto, a regra de ouro √©: nunca discuta com um idiota.

    Pessoas desarmadas intelectualmente

    A pessoa desarmada intelectualmente n√£o √© a pessoa que n√£o conhece o assunto, mas sim aquela que n√£o est√° disposta a conhec√™-lo porque sofre de uma ignor√Ęncia motivada profunda. Ou seja, ele opta por n√£o entender, n√£o saber, n√£o se aprofundar, n√£o ouvir ...


    Essa pessoa √© v√≠tima do vi√©s de confirma√ß√£o; isto √©, ele n√£o quer ouvir nenhuma opini√£o diferente da sua e √© surdo a qualquer coisa que n√£o coincida com sua vis√£o de mundo. Ele presta aten√ß√£o √†s informa√ß√Ķes que confirmam seus pontos de vista e evita com seguran√ßa as demais, por mais razo√°veis, bem argumentadas ou verdadeiras.


    Com uma pessoa assim, √© melhor n√£o discutir porque as chances de compreens√£o s√£o baixas tendendo a zero e as de ficar com raiva s√£o altas tendendo ao infinito. Come√ßar - e continuar - uma discuss√£o com essas pessoas levar√° √† exaust√£o. Ant√≠stenes, o fundador do cinismo, dizia: ‚Äúpara fazer desistir quem se contradiz, n√£o √© necess√°rio contradiz√™-lo por nossa vez; √© preciso educ√°-lo ‚ÄĚ.

    Somos cada vez menos razo√°veis?

    Pessoas que se escondem atr√°s de seus argumentos e n√£o querem ouvir sempre existiram - e continuar√£o a existir. No entanto, vivemos uma √©poca peculiar em que ‚Äúas redes sociais d√£o o direito de falar a legi√Ķes de idiotas que antes s√≥ falavam no bar depois de um copo de vinho, sem prejudicar a comunidade. Eles foram silenciados imediatamente, enquanto agora eles t√™m o mesmo direito de falar que um ganhador do Nobel. √Č a invas√£o de imbecis ‚ÄĚ, disse Umberto Eco.

    Vivemos em uma sociedade de opinião, uma sociedade em que o poder do referente se esvaiu, dando lugar à opinião de todos - com mais ou menos conhecimento dos fatos, com mais ou menos preparo e mais ou menos bom senso.

    Obviamente, o problema n√£o √© a queda dos referentes, pois questionar o estabelecido pode dar lugar a novos caminhos e descobertas. S√≥ se tomarmos uma atitude cr√≠tica em rela√ß√£o ao que est√° estabelecido poderemos continuar a crescer. O problema √© quando √© questionado sem argumentos. Quando as opini√Ķes se tornam ataques porque n√£o h√° raz√Ķes v√°lidas para apoi√°-las. Quando n√£o h√° vontade de construir, mas apenas de destruir para impor um ego que precisa desesperadamente da valida√ß√£o das hordas que "pensam" da mesma forma.


    Todos n√≥s temos uma opini√£o, mas devemos estar cientes de que √© apenas isso, uma opini√£o. E que de vez em quando, ouvir outras opini√Ķes pode nos permitir enriquecer nossa bagagem intelectual. Porque se encontrarmos uma pessoa verdadeiramente s√°bia, uma pessoa que n√£o discute com quem n√£o sabe ouvir ou estabelecer par√Ęmetros comuns, teremos perdido a oportunidade de aprender. E cada oportunidade perdida √© mais um passo em dire√ß√£o ao obscurantismo intelectual.


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