Autocompaix√£o: por que isso acontece comigo?

√Č muito prov√°vel que perante um acontecimento inesperado, com repercuss√Ķes emocionais fortemente negativas, todos se tenham perguntado antes ou depois da pergunta: ‚ÄúQue desgra√ßa! Porque √© que isto me aconteceu? " ou talvez: "Que azar eu tenho, tudo me acontece!" Essas e outras frases semelhantes s√£o representativas de uma ampla gama de sentimentos negativos, como raiva, desespero, resigna√ß√£o, perda de esperan√ßa e autocompaix√£o. A qualquer momento, quando nos sentimos particularmente vulner√°veis, nem sempre conseguimos encontrar o apoio ou a compreens√£o de todos aqueles que nos rodeiam; a partir daqui, entendemos que, diante de certas situa√ß√Ķes dif√≠ceis, √© normal que tenhamos pena de n√≥s mesmos. Mas ... h√° pessoas que se excedem em autocompaix√£o e isso faz com que acabem imersas em um estado de desespero gerado pela percep√ß√£o constante de sua incapacidade. Resumindo: eles come√ßam a se ver como perdedores e, mais tarde, s√£o incapazes de parar de fracassar. A pergunta mais comum √©: "O que fiz para merecer isso?". Uma pessoa com certo equil√≠brio psicol√≥gico, que conhece a si mesma e ao seu ambiente, tentaria encontrar explica√ß√Ķes e causas em seu comportamento e cren√ßas, tentaria entender como sua a√ß√£o sobre o ambiente circundante produziu ou facilitou a situa√ß√£o dif√≠cil e, a menos que seria imposs√≠vel, tentaria ser flex√≠vel ao lidar com o que aconteceu. Essa pessoa tem um locus de controle interno; ou seja, ele busca sua cota de responsabilidade em todas as situa√ß√Ķes em que se encontra. No entanto, outras pessoas t√™m um locus de controle externo, colocam a responsabilidade pelo que aconteceu fora de si mesmas; a culpa √© sempre dos outros e, portanto, eles s√£o apenas v√≠timas (do destino, do destino, da sociedade ...) a quem nada resta sen√£o a autocomisera√ß√£o. Pessoas que continuamente se apiedam de si mesmas est√£o convencidas de que s√£o as √ļnicas que sofrem com as desaven√ßas da vida, que seu destino n√£o lhes oferecer√° nada de bom e, diante da menor dificuldade ou rev√©s, reagem com uma longa lista de reclama√ß√Ķes e reclama√ß√Ķes que n√£o lhes servir√£o de nenhuma maneira para resolver os problemas. Em suma, eles s√£o especialistas no uso de "abstra√ß√£o seletiva". Qual √© o mecanismo de abstra√ß√£o seletiva? Vamos nos concentrar em um exemplo: uma s√©rie de eventos que acontecem diariamente a cada um de n√≥s t√™m efeitos negativos e positivos. As pessoas que seguem seu pr√≥prio ritmo simplesmente param de apreciar o que √© positivo, a vida adquire tons de cinza. √Č claro que esse mecanismo √© eminentemente inconsciente e se deve ao fato de que, em seu papel de v√≠tima, a pessoa est√° sempre focada em observar os aspectos negativos de cada fato que lhe acontece. Isso n√£o significa que essas pessoas n√£o vivenciem eventos traum√°ticos ou com forte impacto emocional, mas que a estrat√©gia que adotam para "lidar" com elas √© a autocompaix√£o que as leva √† imobilidade e ao desespero. At√© que, com o passar dos anos, o que costumava ser uma estrat√©gia espec√≠fica diante de fatos isolados se convertia em um estilo sempre utilizado para lidar com qualquer acontecimento e, o que √© mais importante: que afeta toda a sua vida. Assim, a autocompaix√£o esconde v√°rios perigos: - Mina a autoconfian√ßa - Leva √† solid√£o e ao isolamento do resto das pessoas - Facilita a imobilidade e a falta de criatividade - N√£o nos permite analisar a vida de diferentes perspectivas e, portanto, vai acabar nos impedindo de muitos caminhos que levam ao sucesso Todos n√≥s vivemos momentos tristes, uns mais dif√≠ceis de enfrentar, outros mais simples; a chave para sair deles fortalecidos √© entend√™-los como experi√™ncias de vida das quais sairemos revigorados. √Č dif√≠cil? Sim, n√£o h√° d√ļvida, mas nem sempre √© imposs√≠vel que amemos a vida e queiramos melhorar como pessoas. Portanto, gostaria de encerrar o artigo com uma frase de John W. Gardner: A autopuni√ß√£o √© um dos narc√≥ticos n√£o-drogas mais destrutivos.
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