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    Argumentum ad hominem: denegrir quando faltam argumentos

    Quem sou
    Robert Maurer
    @robertmaurer
    FONTES CONSULTADAS:

    wikipedia.org

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    "Grandes mentes discutem ideias, mentes medíocres discutem eventos, mentes pequenas discutem outros", disse Eleanor Roosevelt. E ele não estava errado. Quando falta estatura intelectual, a pessoa cai na lama pessoal.

    Infelizmente, a tend√™ncia de denegrir os outros quando n√£o h√° argumentos s√≥lidos √© cada vez mais comum em todas as √°reas da vida social, uma tend√™ncia que p√Ķe em risco a possibilidade de chegar a um acordo porque destr√≥i pontes. Essa tend√™ncia √© conhecida como argumentum ad hominem ou "argumento contra o homem".



    Cosa se você prestar atenção a uma discussão com um homem?

    O argumentum ad hominem é onipresente em nossa vida diária. Nós o encontramos na mídia ou nas redes sociais, quando há duas partes que defendem argumentos opostos e uma delas tenta desacreditar a outra recorrendo a argumentos irrelevantes como aparência pessoal, gênero, orientação sexual, nacionalidade, cultura, religião ou afiliação política.

    Argumentum ad hominem é a tendência de atacar o interlocutor em vez de refutar suas idéias. Aqueles que o usam refutam os argumentos do outro por meio de ataques pessoais destinados a minar sua autoridade ou confiabilidade.

    Pode-se recorrer a insultos pessoais, humilha√ß√Ķes p√ļblicas ou at√© mesmo mencionar erros que a pessoa cometeu no passado. Tamb√©m √© comum atacar as caracter√≠sticas pessoais do interlocutor que, aparentemente, contradizem a posi√ß√£o que defende. E h√° quem recorra √† mentira ou exagere nos alegados defeitos do outro para destruir suas ideias.

    O principal objetivo dessa atitude é desacreditar a pessoa que defende uma ideia, deslocando o foco para um aspecto irrelevante que pouco ou nada tem a ver com o assunto.

    Muitos exemplos de argumentum ad hominem ocorreram e continuam ocorrendo ao longo da história. Arthur Schopenhauer, por exemplo, era um misógino, mas isso não significa que muitas de suas ideias filosóficas não fossem extremamente interessantes. Ayn Rand foi uma defensora ferrenha do capitalismo, mas isso não significa que não possamos valorizar seu objetivismo.



    Como sublinhou o pol√≠tico Garc√≠a Damborenea: ‚Äú√Č compreens√≠vel que a ideia seja desagrad√°vel, mas se Hitler afirmasse que dois mais dois s√£o quatro, ter√≠amos de concordar com ele‚ÄĚ. Afinal, mesmo um rel√≥gio parado diz a verdade duas vezes por dia. Se n√£o aceitamos essa realidade, simplesmente nos fechamos para a diversidade e a complexidade que existem no mundo. E provavelmente perderemos a oportunidade de crescer, ficando presos nas ideias daqueles que pensam como n√≥s e compartilham nosso sistema de valores.

    A difamação pessoal diz mais sobre o atacante do que sobre o atacante

    Argumentum ad hominem √© freq√ľentemente o resultado de uma falta de argumenta√ß√£o e frustra√ß√£o. Usar essa estrat√©gia √© como se um jogador de futebol, n√£o conseguindo alcan√ßar a bola, tropece no advers√°rio e o fa√ßa cair. N√£o √© um jogo justo. E, sem d√ļvida, diz muito mais sobre o atacante do que sobre quem est√° sendo atacado.

    Quando não se tem ideias sólidas, recorre-se à difamação e à humilhação. Esses ataques podem se tornar extremamente virulentos e pessoais, pois visam envergonhar a outra pessoa e fazê-la ficar em silêncio ou perder sua credibilidade.

    Porém, os ataques pessoais também desqualificam o agressor, pois mostram sua irracionalidade e sua pobreza de argumentos. Quem não consegue lutar ao nível das ideias, mas quer vencer a todo o custo, arrastará o seu interlocutor a nível pessoal.

    Somos muito vulner√°veis ‚Äč‚Äča argumentos ad hominem

    O principal problema √© que, embora gostemos de nos ver como pessoas altamente racionais e sens√≠veis, na verdade somos particularmente vulner√°veis ‚Äč‚Äčao argumentum ad hominem, descobriram pesquisadores da Montana State University.


    Esses pesquisadores pediram √†s pessoas que lessem declara√ß√Ķes cient√≠ficas e indicassem sua atitude em rela√ß√£o a elas. Em algumas declara√ß√Ķes, um ataque direto √† base emp√≠rica da afirma√ß√£o cient√≠fica foi adicionado, em outras, um ataque ad hominem ao cientista que fez a afirma√ß√£o foi inserido.


    Os pesquisadores descobriram que ataques ad hominem t√™m o mesmo impacto em nossas opini√Ķes que ataques baseados em argumentos l√≥gicos e cient√≠ficos. Isso significa que n√£o somos objetivos ao avaliar argumentos.

    Em parte, essa tend√™ncia se deve ao fato de que a credibilidade e os valores compartilhados da emissora s√£o caracter√≠sticas que consideramos positivas e determinam a influ√™ncia que uma mensagem ter√° sobre n√≥s. Se algu√©m ataca a fonte da informa√ß√£o, atacando sua credibilidade ou questionando seus valores, semear√° a d√ļvida e √© prov√°vel que demos menos import√Ęncia e credibilidade √†s suas id√©ias e opini√Ķes.

    Quando voc√™ provoca uma atitude de rejei√ß√£o para com o oponente, tamb√©m se desenvolve uma rejei√ß√£o para com suas palavras. √Č um fen√īmeno de transfer√™ncia psicol√≥gica que √© exacerbado por nossa tend√™ncia de ver as discuss√Ķes ou debates como competi√ß√Ķes nas quais deve haver um vencedor. E na nossa sociedade, para vencer nem sempre √© preciso estar certo, mas prevalecer, mesmo atrav√©s da difama√ß√£o.

    Venha desafiar todos os argumentos para o homem?

    Se √†s vezes nos encontramos no meio de um debate e somos tentados a atacar pessoalmente nosso interlocutor, √© melhor pararmos por um segundo para pensar sobre que emo√ß√£o nos leva a faz√™-lo. √Č prov√°vel que seja raiva ou frustra√ß√£o. Em vez disso, devemos pensar que um debate construtivo n√£o √© aquele em que vencedores e perdedores s√£o declarados, mas em que ambos crescem.


    Ser v√≠tima desse tipo de ataque pode ser muito frustrante. Portanto, a primeira coisa √© conter o desejo de revidar e trazer o conflito para um n√≠vel pessoal. Jorge Luis Borges contou uma anedota em "Hist√≥ria da Eternidade" em que um homem foi atirado uma ta√ßa de vinho no rosto no meio de uma discuss√£o. O atacado n√£o vacilou. Ele simplesmente disse: ‚ÄúIsso, senhor, √© uma digress√£o; Aguardo, no entanto, o seu argumento ‚ÄĚ.


    Tamb√©m precisamos nos proteger do tipo de "argumento" enganoso que visa manipular a opini√£o das massas para n√£o dar ouvidos a id√©ias v√°lidas. √Č, portanto, uma quest√£o de manter a mente aberta e estar em guarda contra qualquer ataque pessoal, porque provavelmente implica que h√° uma opini√£o ou ideia s√≥lida por tr√°s disso que √© dif√≠cil de desacreditar.

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