5 tipos de pensamentos catastróficos que amarguram nossa vida

5 tipos de pensamentos catastróficos que amarguram nossa vida

Quando o catastrofismo nos atinge, ele se torna uma espiral descendente da qual √© dif√≠cil se livrar. √Č um vi√©s cognitivo por meio do qual abrigamos uma s√©rie de cren√ßas irracionais e negativas que nos levam a imaginar os piores cen√°rios. Envolve supor que ocorrer√° um desastre ou cat√°strofe, mesmo que n√£o tenhamos uma raz√£o razo√°vel para faz√™-lo.

Obviamente, esse tipo de pensamento acaba nos preocupando. Se pensarmos continuamente no pior, ficaremos tensos e ansiosos, em um estado de tensão permanente que acabará nos afetando tanto física quanto psicologicamente. No caso de o pensamento catastrófico se combinar com o pessimismo, acabaremos desenvolvendo um desamparo aprendido que pode nos levar diretamente à depressão.



Quando o preconceito otimista d√° lugar ao catastrofismo

O mundo pode se tornar um lugar amea√ßador. Todos os dias nos expomos a muitos perigos, desde a possibilidade de sofrer um acidente de tr√Ęnsito at√© um ferimento em casa ou mesmo ser atingido por um peda√ßo de lixo espacial ou um meteorito. Todas as probabilidades que existem. Mas n√£o os levamos a s√©rio porque geralmente somos v√≠timas de preconceitos otimistas.

O viés otimista nos faz acreditar que temos menos probabilidade de experimentar um evento negativo. Embora seja um preconceito, não é negativo porque nos permite viver em um estado de equilíbrio emocional em um ambiente que, de outra forma, perceberíamos como profundamente hostil.

Na verdade, o preconceito otimista muitas vezes protege nossa sa√ļde mental. Descobriu-se que as pessoas com depress√£o e esquizofrenia n√£o tendem a ser t√£o otimistas quanto as pessoas psicologicamente est√°veis.

Mas esse viés otimista pode ser influenciado por vários fatores. Por exemplo, quanto menos controle sentimos que temos sobre as coisas que acontecem conosco e com nosso ambiente, mais provável é que o viés otimista desapareça e dê lugar a pensamentos catastróficos. O viés otimista também tende a desaparecer com o avançar da idade. Ao contrário, ela se fortalece em contextos ambíguos e incertos, onde temos a tendência de nos preparar para o pior.



O problema começa quando não deixamos esse preconceito otimista para trás para nos tornarmos mais objetivos, mas imaginamos diretamente os piores cenários possíveis, alimentando os pensamentos catastróficos.

O catastrofismo é uma segunda flecha que disparamos contra nós

O pensamento catastr√≥fico √© um exemplo do que √© considerado "a segunda flecha" no budismo. Segundo essa filosofia, a primeira flecha s√£o aquelas experi√™ncias desagrad√°veis ‚Äč‚Äčque fazem parte da nossa vida, inconvenientes como ficar preso em um engarrafamento ou acender uma l√Ęmpada ou experi√™ncias mais profundas, como perder o emprego ou um ente querido.

A vida n√£o economiza nas primeiras flechas e muitas vezes n√£o podemos evit√°-las. Mas podemos evitar as segundas flechas porque as atiramos. Experimentamos a sensa√ß√£o desagrad√°vel que a primeira flecha produziu e, ao inv√©s de reconhec√™-la e pensar em como podemos melhorar as coisas, nos deixamos ser inundados por um fluxo de emo√ß√Ķes negativas e pensamentos catastr√≥ficos sobre a primeira flecha.

Dessa forma, n√£o demorar√° muito para adicionar mais sofrimento ao que j√° foi causado pela primeira flecha. Em outras palavras, pioramos as coisas por conta pr√≥pria. Nossas rea√ß√Ķes e pensamentos desproporcionais √† situa√ß√£o, adicionando uma dose desnecess√°ria de sofrimento, ansiedade e medo.

Os diferentes tipos de pensamentos catastróficos que alimentamos

1. Filtragem, quando vemos tudo preto

√Č uma distor√ß√£o da realidade em que desenvolvemos a vis√£o de t√ļnel e apenas notamos os detalhes negativos quando os ampliamos. Vemos apenas os elementos negativos, ignorando quase completamente os positivos, ent√£o nossa vis√£o do que est√° acontecendo √© tingida de cinza.


Como resultado dessa vis√£o negativa e limitada, isolamos o que est√° acontecendo do contexto. Nosso pensamento se torna um disco quebrado que se repete indefinidamente, piorando cada vez mais. O resultado final √© o exagero de todos os nossos medos, defici√™ncias e irrita√ß√Ķes, a ponto de podermos sentir que tudo √© terr√≠vel, horr√≠vel ou a que n√£o seremos capazes de resistir.


Como desativ√°-lo?

Somos muito mais fortes do que pensamos. Na verdade, podemos lidar com muitas coisas. Portanto, √†s vezes, para lidar com esse tipo de pensamento catastr√≥fico, basta dizer a n√≥s mesmos: ‚Äún√£o exagere‚ÄĚ, ‚Äúvoc√™ s√≥ est√° vendo o lado negativo‚ÄĚ ou ‚ÄúEu consigo lidar com o que acontece‚ÄĚ.

2. Generaliza√ß√£o exagerada, tire conclus√Ķes precipitadas

Quando generalizamos excessivamente, tiramos uma conclus√£o geral de um √ļnico incidente ou consideramos apenas uma parte limitada das evid√™ncias e dados de que dispomos. Se algo de ruim acontece conosco em uma ocasi√£o, o pensamento catastr√≥fico √© acionado e esperamos continuamente que aconte√ßa novamente.

Nesse caso, partimos imediatamente para conclus√Ķes negativas, sem perceber que as situa√ß√Ķes s√£o uma concatena√ß√£o de fatores que raramente se repetem. Este tipo de pensamento catastr√≥fico pensa em termos de "nunca", "sempre", "todos" ou "nenhum".

Como desativ√°-lo?

√Č importante compreender que ter vivenciado um evento negativo n√£o significa que ele acontecer√° novamente. Precisamos pensar objetivamente e analisar as chances de o evento acontecer novamente com base nas evid√™ncias que temos √† nossa disposi√ß√£o. E, para fazer isso, devemos tomar a dist√Ęncia psicol√≥gica apropriada do que est√° acontecendo conosco.

3. Personalização, acredite que o mundo inteiro está contra nós

√Äs vezes, acreditamos que somos o centro do universo, e essa vis√£o egoc√™ntrica pode nos pregar uma pe√ßa. Podemos vir a acreditar que tudo o que acontece tem a ver conosco, que existe uma conspira√ß√£o mundial com o √ļnico objetivo de arruinar nossas vidas e colocar obst√°culos em nosso caminho. Em suma, pensamos que apenas nossas l√Ęmpadas queimam e as outras s√£o eternas.


Levar tudo para o lado pessoal pode nos fazer desenvolver pensamentos catastróficos que nos fazem ver perigos em todos os lugares, pessoas dispostas a complicar nossas vidas ao menor erro e catástrofes iminentes que nos afetarão de maneiras inesperadas.


Como desativ√°-lo?

Devemos entender que muitas coisas acontecem fora de nossa vontade. Às vezes, sofremos danos colaterais, mas nem todo mundo tem isso conosco. Ver a dor e o sofrimento dos outros, sair dessa atitude egocêntrica, nos permitirá colocar tudo em perspectiva.

4. Adivinhação do pensamento

Para nos relacionarmos com os outros, devemos ser capazes de sentir suas emo√ß√Ķes e, se poss√≠vel, antecipar suas inten√ß√Ķes. Mas √†s vezes exageramos e acreditamos que podemos adivinhar seus pensamentos, o que pode criar ilus√Ķes.

Quando acreditamos que podemos adivinhar os pensamentos e inten√ß√Ķes dos outros, podemos interpretar mal um olhar, gesto ou palavra, terminando por imaginar os piores finais desse relacionamento. Por exemplo, podemos concluir que algu√©m tem rancor de n√≥s, mas n√£o nos importamos em descobrir se isso √© verdade.

Como desativ√°-lo?

Perguntando. Nas intera√ß√Ķes sociais, na d√ļvida, √© sempre melhor perguntar. Um simples "o que voc√™ quis dizer?" pode nos impedir de tirar conclus√Ķes precipitadas.

5. Pensamento emocional

As emo√ß√Ķes negativas costumam ser o estopim que acende o pensamento catastr√≥fico. Quando algo acontece conosco, tendemos a reagir emocionalmente. Podemos ficar zangados, tristes ou frustrados quando algo est√° errado com nossos planos. Mas n√£o devemos cometer o erro de confundir essas emo√ß√Ķes com a realidade.

Quando pensamos que se nos sentimos mal, o mundo est√° mal, estamos presumindo que nossas emo√ß√Ķes s√£o realidade e, portanto, podem afet√°-las. Dessa forma, ca√≠mos na armadilha de imaginar um futuro aterrorizante se estivermos com medo, ou um futuro cinzento se estivermos deprimidos. Nossas emo√ß√Ķes negativas se traduzem em pensamentos que eventualmente moldam nossas rea√ß√Ķes.

Como desativ√°-lo?

As emo√ß√Ķes influenciam nosso pensamento, √© um fato. Mas podemos entender que este √© apenas um fator na equa√ß√£o. Precisamos separar nossas rea√ß√Ķes emocionais dos eventos. Assim, podemos entender que o fato de termos medo n√£o significa necessariamente que o mundo seja um lugar amea√ßador. Somos n√≥s que vemos assim naquele momento.

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